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quinta-feira, 17 de julho de 2008

Polícia prendeu acusados de estelionato

A notícia é quente, foi apurada na segunda, terça e quarta-feira e veículos de comunicação regionais, como ValeParaíbano e TV Vanguarda não tomaram conhecimento. Após a matéria elaborada e devidamente apurada (tive acesso ao inquérito e às testemunhas), eis que a matéria foi simplesmente engavetada por um dos veículos em que publico. No lugar foi colocada uma notícia sobre o "Festival da Truta". É... Convenhamos, era mais importante mesmo. Salvem as trutas!
Uma investigação da DIG de Guaratinguetá sobre golpes aplicados na compra de barras de ferro no comércio da cidade resultou na prisão de dois indivíduos na cidade de Aparecida na manhã de segunda-feira. De acordo com informações que constam no inquérito, um homem de 45 anos, morador do bairro de Vila Mariana em Aparecida, teria comprado 300 barras de ferro no valor de R$ 5.500,00 em dois estabelecimentos especializados e pago com cheques que seriam produtos de crime. A partir da localização deste indivíduo, ele informou que vendeu o produto por um valor 60% abaixo de mercado e apontou o local onde as barras foram guardadas. Trata-se de um posto de combustíveis na avenida Getúlio Vargas, no bairro de Santa Rita. Em um galpão nos fundos do posto estava todo o material, que foi identificado pelo representante da empresa lesada.
O proprietário do posto foi identificado como um policial militar da reserva. Ele alegou que o ferro foi comprado de forma legal e apresentou notas fiscais, que informavam apenas uma parte do material encontrado. A polícia ainda checa a autenticidade das notas. Ambos alegam que o negócio foi intermediado por outras duas pessoas, um homem identificado apenas como Patrick e uma mulher. O dois foram detidos e encaminhados à Guaratinguetá. O indivíduo indiciado por estelionato já possui quatro passagens pelo mesmo crime e por enquanto aguardará o prosseguimento das investigações em liberdade. Já o militar foi indiciado pelo crime de receptação e está preso no presídio militar Romão Gomes, na capital.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Pitta, o pateta

O principal assunto que trafega pela mídia recentemente é o prende e solta de Daniel Dantas e suas ligações com Naji Nahas e Celso Pitta. O caso se tornou alvo dos holofotes.
Mas o que eu gostaria de destacar é a situação de Pitta nos diálogos divulgados pela polícia. Em conversas com Nahas e seus 'representantes', Pitta está sempre pedindo dinheiro.
Trecho de reportagem da Folha de São Paulo de hoje:
O ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta afirmou ontem à Folha que não vê "nada de incriminador" em uma pessoa pedir dinheiro a outra e disse que é um "absurdo" colocá-lo na mesma situação de outros presos durante a Operação Satiagraha da PF.
"O diálogo é de um cidadão pedindo dinheiro a outro. Desde quando isso é crime? Não sei. Absolutamente improcedente qualquer acusação de crime." O ex-prefeito disse que estava pedindo o dinheiro como um amigo. "Não vejo nada de ilícito, nada de criminoso."
Ou seja, Pitta "governou?" São Paulo, a maior cidade da América Latina por quatro anos, dobrando sua dívida pública. É acusado de desviar recursos que iriam para aquele seu conhecido projeto, o tal de Fura-Fila, que jamais saiu do papel (o projeto inaugurado agora, como Expresso Tiradentes, usa parte da estrutura viária do Fura-Fila, mas em nada lembra o "metrô sobre rodas" de Pitta). É acusado de inúmeras outras situações em que o dinheiro público rodopiou pelo bem do famoso tráfico de influência. E no final, quase 10 anos depois, Pitta pede dinheiro para doleiro para viver? O que você, que por aqui lê, pode concluir? De minha parte posso lançar como opinião que, como administrador ou economista, Pitta é um pateta. Quebrou uma cidade e parece que suas economias pessoais também não andam lá essas coisas. Mas, vão argumentar que sou eu que não sei o que estou escrevendo, afinal ele é economista, com formação na Inglaterra e em Harvard (EUA). Pronto! Achamos o freqüentador dos botecos próximos a Harvard!

E na mídia?
Paralelos a esta situação, os principais envolvidos na operação da PF já avisaram que vão sobrar acusações para a imprensa, já que muitos jornalistas considerados "sérios" estariam envolvidos em favorecimentos a estes elementos (Dantas, Nahas e Pitta) nos veículos de comunicação que representam. Esta expectativa alimentou uma guerra entre a mídia que já acontece há algum tempo. Para entender, vale acompanhar os blogs dos jornalistas Luís Nassif, Paulo Henrique Amorim e Janaína Leite. Do "colunista"? Diogo Mainardi e também o blog do editor da revista Veja (apontada na investigação como grande ocultadora das falcatruas de Dantas). Para visitar, basta clicar sobre os nomes. Em tempo: Mainardi e Nassif travam uma batalha que já chegou ao campo pessoal. É quente, ideal para quem gosta de ver o circo pegar fogo. Mas e agora? Alguém pagará por isso ou mais uma vez teremos pizza?

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Bebeu, caiu e não levantou...

O título é até bem humorado, mas o assunto não segue a mesma linha. A importância de abordarmos este assunto é mostrar a posição de vilão que o álcool assume em nossa sociedade, não importando se o indivíduo está dirigindo ou não.
Louvável a lei que proíbe o consumo de álcool por parte do motorista e pouco interessante as discussões que a mídia tem feito sobre o assunto. Muitos programas estão debatendo porque o consumo de 3 bombons de licor poderiam fazer o motorista ser reprovado no teste do bafômetro. Simples. Se vai dirigir, que não fique consumindo este tipo de produto. Infelizmente quando temos uma situação crítica, é necessário que não seja feita exceção, justamente para criar consciência na população. E o número de acidentes envolvendo álcool e direção é sim uma situação crítica.

Mas o álcool pode se manifestar perigosamente de outras maneiras. Neste final de semana a Polícia Rodoviária Federal não fez blitz em nossa região (Oitava delegacia, região de Guaratinguetá e Cachoeira Paulista. Mas na cidade de Potim (área de nossa cobertura), duas ocorrências em menos de 12 horas envolvendo álcool. Na madrugada de sábado para domingo, um sujeito morreu no bairro Chácara Tropical pelo consumo exagerado da bebida. De acordo com testemunhas, ele deitou em uma calçada no local e por alí faleceu (literalmente bebeu, caiu e não levantou). Já às 5 da tarde, dois indivíduos estavam em um bar no bairro Barranco Alto (também na cidade de Potim/SP) e discutiam sobre futebol. Um deles se irritou, pegou uma faca e acertou o peito do outro rapaz. Ele foi socorrido, encaminhado ao Pronto Socorro de Aparecida, mas faleceu antes de chegar ao local. O assassino está foragido.

Quer se divertir, quer beber? Divirta-se, beba, mas faça um consumo responsável. Se você não tem condições de fazer um consumo responsável, evite o consumo. Se você não consegue evitar o consumo, procure auxílio, o álcool passou a ser uma doença para você.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Isabella é sinal de que vale investir na Polícia

O "Caso Isabella" tem sido para a imprensa uma espécie de misto de "11 de setembro" (pelo espaço dado na mídia) com o "Caso Madeleine" (a garotinha britânica que até hoje comove a Europa). Pois bem, não gostaria eu de expressar minhas opiniões pessoais sobre este assunto, afinal todos os blogs, jornais e emissoras já o fizeram. Vou ressaltar outro ponto, a exemplar conduta da polícia neste caso.
Imagine você que em um universo de milhões de inquéritos trabalhados por mês pelas autoridades policiais, a maioria segue para o judiciário sem qualquer claridade a respeito dos fatos. É comum também o famoso "pedido de dilação de prazo". O que é esse pedido? A autoridade policial tem definido em lei um tempo limite para encerrar o inquérito e encaminhar à justiça. O prazo base é de 30 dias (quando o réu está solto) e quando este prazo encerra e a autoridade necessita de um prazo maior, é requisitada esta dilação ao juiz, que geralmente a concede. Para se ter idéia, o caso de um acidente de trânsito no mês passado, envolvendo um ônibus na via Dutra em Aparecida, onde 8 pessoas morreram, deve durar 6 meses para ter o inquérito concluído e as causas determinadas (isso de acordo com o próprio delegado que o conduz). É um fato gravíssimo, visto que é um caso que envolve indenizações, por exemplo.
No caso Isabela o prazo definido em lei foi respeitado e a polícia já dá como esclarecido o caso, incrível! Isso mostra o bom time que temos em nossa polícia, formada por brilhantes profissionais, mas revela também que a partir do momento que a criminalidade age no "atacado e não no varejo", esta eficiência fica comprometida, os crimes ficam sem solução e abrimos espaço para a impunidade.
A polícia então está privilegiando este caso pela família ser de classe média-alta? Não, não vejo esta situação. A mídia deu uma ênfase gigantesca ao caso (que é sim de uma barbárie inigualável), e a polícia não poderia deixar de responder à altura. Seria mostrar que além do pouco investimento recebido dos governantes, a segurança pública no Brasil possui amadores trabalhando na solução dos crimes, área que exige profissionais de inteligência.
O caso Isabella mostra que vale sim investir nos profissionais de nossa polícia. E que este investimento em inteligência é um dos pilares do combate à impunidade. Outros pontos, como o investimento em educação e em segurança preventiva, serviriam para que a criminalidade deixe de enviar casos à granel para estes profissionais.